quarta-feira, 30 de abril de 2008

Escalada em Brazópolis



Final de 2004 conheci a Falésia dos Olhos. Uma área de escalada de tirar o fôlego. Local onde se encontram varias vias esportivas com grau elevado e também algumas vias tradicionais. Um setor com vias negativas outras verticais, de excelente qualidade. Desde então, estou sempre freqüentando este lugar acompanhado por amigos que também adoram ralar os dedos nesta parede linda.



Quando conheci a falésia, a convite de meu amigo Orlando Mohallem, fiquei encantado com a grandeza e a cor alaranjada da parede devido a um teto enorme que fica aproximadamente 50 metros do chão evitando que a chuva molhe sua face. Por este motivo, a falésia é muito procurada em dias de chuva por abrigar grande parte das linhas esportivas, deixando-as sempre secas. A maioria das vias se resume a pouco mais de 20 metros, e em sua face maior, apenas uma via passa por toda a parede virando o teto e seguindo até o cume. Já escalei algumas vias neste lugar como a Bulls on Parade 9a/b, Na sika 9a, Rock in Roll na Catedral 8a, Quebradeira 6sup, Acordo de Cavalheiros 7b, Maluco beleza 7b/c e Sonho de Ícaro 7b/a1.



Em minha primeira visita à falésia junto com Orlando, já me interessei de imediato por fazer uma via que se passa por toda parede, no caso, a Sonho de Ícaro, que tem sua linha praticamente no meio da parede, saindo no cume depois de um teto lindo. Toda vez que eu chegava à falésia sempre crescia os olhos nesta linha, mas sempre ficava por conta de fazer força nas vias esportivas. Entrava também na Sonho, somente em sua 1ª cordada, um 7º grau muito freqüentado por todos, para alguns, um bom aquecimento para as vias mais fortes. Lembro-me que nesta minha 1º visita já ficou o convite de Orlando para fazermos a Sonho de Ícaro inteira.


Se passaram quatro anos, e no começo de 2008, Orlando e eu, marcamos esta escalada e partimos para cima numa manhã nublada de quinta feira, dia 24 de Janeiro de 2008. Chegamos bem cedo por volta das 07:00h e as 08:00h começamos nossa escalada. Fiz a 1º cordada e logo preparei a segurança para Orlando. A 2º cordada ficou com meu amigo que passeando nos estribos travou uma batalha com um exército de maribondos no meio da enfiada. Ainda bem que estávamos preparados e em nossa bagagem de equipamentos estava um presentinho para eles. Logo limpei esta cordada e já parti em direção ao teto que crescia em cima de nossas cabeças. Vários momentos de contemplação da paisagem que se abria cada vez mais diante de nossos olhos. Nem parecia que estávamos na falésia.


Acostumados com as vias curtas e que agora já estavam lá em baixo, parecia estarmos em um lugar completamente diferente. Sensação de prazer em todas as passadas. Não é uma via difícil, com lances em A0 e passadas em livre, a seguimos até o cume onde a sensação de dever cumprido encheu nosso espírito e com um abraço selamos esta escalada maravilhosa na Falésia dos Olhos. Não é comum chegar na falésia e ver alguém seguindo esta linha com intenção de chegar ao cume. Por ser um local com muitas vias esportivas, a maioria dos escaladores vão pra lá em busca de vias atléticas e de força.




Foi um belo dia de escalada onde Orlando e eu tivemos boas horas de alegria reforçando nosso apreço por este esporte que tanto meche com nossa alma, alma de montanhista.

Juliano Ribeiro
21 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A Cordilheira e o Caminhão 66

No final de 2006 participei de uma expedição que já é realizada a 4 anos nesta mesma época pelo amigo e professor da Unifei Francisco Dupas.

Junto com ele, mais seu filho Chiquinho, o Lekão (amigo que subiu o Aconcágua em Janeiro comigo) e eu Orlando partimos rumo a San Pedro do Atacama no Chile embarcados em um caminhão 66 4X4 (irado!), que literalmente é uma casa móvel.

No dia 27/12 saimos de Ribeirão Preto , após passar por Londrina, Foz do Iguaçu, Corrientes, Ita Ibaté, Monte Quemado, Salta e Susques (3650m) fomos chegar depois de 9 dias de viagem a encantadora San Pedro do Atacama.

Cidade construida em um oasis bem no meio do Deserto do Atacama com várias atrações turísticas: dunas, geisers, sítios arqueológicos, salares, lagunas termais e muitos vulcões. Após alguns dias de descansos, passeios e busca de algumas infos, nos preparamos para tentar subir um dos mais tradicionais e respeitados vulcões do Chile, o Licancabur, com 5930m.


Após adentrarmos pela Bolívia (local de acesso) estacionamos nossa casa a 4300m, bem ao lado da maravilhosa Laguna Verde para no outro dia fazer a tentativa. As 1:00 da manhã parti apenas com o Lekão, o Dupas e Chiquinho ficaram no apoio e curtindo toda bela paisagem, onde as 9:30 chegamos na perfeita cratera do Licancabur.

Foi muito emocionante, pois mais uma vez achávamos que não seria aquilo tudo. Gostaria muito de agradecer o companheirismo dos grandes amigos F.Dupas, Chiquinho e principalmente do Lekão, que além de tudo, me proporcionou financeiramente toda esta experiência maravilhosa. Hasta Luego !